terça-feira, 29 de setembro de 2015

" The Return "

Olá olá :) 

O outono chegou - sim, acabou-se o bem bom do Verão. E com ele também as leituras de Verão... Ou será que não? 
O meu Verão terminou com um livro que, ao início, achei aborrecido mas que tem muito mais que se lhe diga. Ora vejam lá mais em baixo ;) 


Eu ainda faço parte de um pequeno grupo de pessoas que são sócias da biblioteca municipal e requisitam livros para ler e isto começou quando voltei a ter tempo para lá ir e começar a perder-me pelas estantes à procura de algo que me chamasse a atenção. E desta vez, na impossibilidade de trazer o livro que realmente queria, arrisquei-me numa leitura um pouco diferente do habitual. 


O Regresso - The Return, título original - é só mais um dos romances de Victoria Hislop, escritora e jornalista. Depois de em 2005 ter lançado o romance A Ilha, bestseller em Inglaterra, em 2008 sai O Regresso. Apesar de já ter ouvido falar, nunca tinha lido nenhum dos livros. Apesar de ser definido como um romance, acho que na altura não me interessou por abordar alguma história, achei que seria aborrecido. 

Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sonia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola. 
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói. 


Pois bem meus amigos, enganem-se! Não é o típico romance a que estamos habituados em que existe um casal e que a história gira em torno deles, havendo separação ou dificuldades e, no final, tudo acaba bem. É um romance que gira à volta de um amor muito mais forte, que ultrapassa seja o que for para que tudo acabe bem à volta de uma família separada pelas circunstâncias da vida mas unida pelo coração. 

 Granada, 1937
Na penumbra nocturna das persianas fechadas de um apartamento, o estalido discreto de uma porta a fechar-se furou o silêncio. Ao crime de estar atrasada, a rapariga tinha adicionado o pecado de tentar esconder a sua chegada sub-reptícia a casa.
 - Mercedes! Onde é que estiveste, em nome de Deus? - ouviu-se um sussurro áspero. 
Um jovem saiu das sombras para o corredor e a rapariga, que não tinha mais de dezasseis anos, ficou parada à frente dele, de cabeça baixa, as mãos escondidas atrás das costas.
 - Porque é que vens tão tarde? Porque é que nos estás a fazer isto?
Ele hesitou, suspenso no espaço incerto entre o desespero total e o amor absoluto por esta rapariga.
 - E o que é que estás a esconder? Como se eu não calculasse já. 
Ela estendeu as mãos. Equilibrado nas suas palmas abertas estava um par de sapatos preto coçados, com o cabedal tão mole como pele humana e as solas gastas até à transparência. 
Ele pegou-lhe suavemente nos pulsos e segurou-os nas suas mãos. 
 - Por favor, pela última vez, eu estou-te a pedir... - implorou ele. 
 - Desculpa Antonio - disse ela em voz baixa, a enfrentar agora os olhos dele. - Eu não consigo parar. Não consigo evitar.
 - Não é seguro, querída mía, não é seguro. 


Um pequeno excerto que aguça a curiosidade, especialmente da protagonista que vai fascinar-se por esta história e vai descobrindo que há feridas que o tempo não apaga e marcas que a história não deixa desaparecer. Sonia vai reencontrar-se a ela própria e descobrir que há mais na vida dela além da enfadonha rotina que a tem prendido há anos. 

Às cinco horas, a campainha soou. Depois de ter tomado duche e feito a cama impecavelmente, Sonia desceu a escada. Lançando um olhar final e triste ao redor, arrastou a mala pela soleira, trancou a porta com duas voltas e meteu a chave no caixa do correio. Avançou em direcção ao carro que a esperava. 


Para onde vai Sonia? O que irá ela descobrir que lhe vai virar a vida ao contrário? Será Granada o seu destino? Ou é simplesmente uma história sobre uma mulher que descobre a dança na sua vida? 
Curiosos? Também eu fiquei... Tenho de vos dizer que não é cativante logo de início, ainda tive de me esforçar um bocadinho para continuar, mas quando cheguei à essência da história e realmente percebi que ali havia muito mais para desvendar, não parei. Chega mesmo a ser comovente, de uma maneira que nos toca mesmo coração. 

Até onde seremos capazes de ir para protegermos os nossos? 

Divirtam-se à descoberta desta leitura. Eu aprovo :) 

Um beijinho literário ;)

Catarina